sábado, 14 de janeiro de 2017

DEMANDA AGREGADA

DEMANDA AGREGADA

No curto prazo o principal determinante do grau de utilização da capacidade produtiva é a demanda agregada, ou seja, o consumo, o investimento, os gastos do governamentais e as exportações. São as decisões a respeito desses elementos que determinam o nível de renda de um país e que explicam as oscilações do produto no curto prazo.

O CONSUMO
O consumo corresponde aos gastos com aquisição de bens que visam atender à satisfação de uma necessidade: alimentos, vestuário, eletrodomésticos etc.

O INVESTIMENTO
O investimento corresponde aos gastos que visam aumentar a capacidade produtiva; percebe-se que o investimento é um elemento da demanda agregada corrente que afeta o nível futuro do produto potencial, ao significar um acréscimo do estoque de capital na economia.

GASTO DO GOVERNO
Os gastos governamentais correspondem à aquisição de bens e serviços pelo governo.

AS EXPORTAÇÕES
As exportações correspondem à venda de bens e serviços para não residentes, e as importações, à aquisição de bens e serviços produzidos fora do país.

Fonte: GREMAUD, A. P. Economia Brasileira Contemporânea. 7º ed. São Paulo: Atlas, 2007.













Fronteira de Possibilidades de Produção - FPP

Fronteira de Possibilidades de Produção

A Fronteira de Possibilidades de Produção representa as quantidades máximas de produção que podem ser obtidas por uma economia dadas as tecnologias de produção existentes e as quantidades de factores de produção disponíveis nessa economia. A Fronteira de Possibilidades de Produção representa assim uma lista de combinações de escolha possível de bens numa determinada economia. A existência desta fronteira implica que quanto mais recursos utilizarmos na produção de determinado bem, menos recursos podem ser utilizados na produção de um outro.

A Fronteira de Possibilidades de Produção pode ser representada de uma forma simplificada num gráfico bidimensional em que em cada eixo é colocado um determinado bem. Neste gráfico, a Fronteira de Possibilidades de Produção é representada por uma curva que une os eixos representando as quantidades máximas que é possível produzir de cada bem tendo em conta a quantidade produzida do outro; quando se está sobre esta fronteira, diz-se que a economia está numa situação de eficiência produtiva. Os pontos no exterior dessa curva representam combinações de produção impraticáveis ou impossíveis de atingir. Ao invés, os pontos no interior da curva indicam que a economia não está a produzir eficientemente (o que pode acontecer, por exemplo, em períodos de desemprego elevado durante as flutuações cíclicas da economia).

Fonte: http://www.old.knoow.net/cienceconempr/economia/fronteirapossibprod.htm

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ECONOMETRIA

Metodologia da Econometria

A natureza da Análise de Regressão

O termo regressão foi introduzido por Francis Galton. Ele verificou que, embora houvesse uma tendência de pais altos terem filhos altos e de pais baixos terem filhos baixos, a altura média dos filhos de pais de uma dada altura tendia a se deslocar ou “regredir” até a altura média da população como um todo. Em outras palavras, a altura dos filhos de pais extraordinariamente altos ou baixos tende a se mover para a altura média da população.

A interpretação moderna da regressão é diferente – ocupa-se do estudo da dependência de uma variável (chamada variável endógena, resposta ou dependente), em relação a uma ou mais variáveis, as variáveis explicativas (ou exógenas), com o objetivo de estimar e/ou prever a média (da população) ou valor médio de dependente em termos dos valores conhecidos ou fixos (em amostragem repetida) das explicativas.

REGRESSÃO versus CAUSALIDADE
É importante ressaltar que embora a análise de regressão lide com a dependência de uma variável em relação a outras variáveis, ela não implica necessariamente em causa. Uma relação estatística, por mais forte e sugestiva que seja, jamais pode estabelecer uma relação causal. As idéias sobre causa devem vir de fora da estatística, enfim, de outra teoria.

REGRESSÃO versus CORRELAÇÃO
A análise de regressão conceitualmente é muito diferente da análise de correlação, cujo objetivo básico é medir a intensidade ou o grau de associação linear entre duas variáveis. Por exemplo, podemos estar interessados em achar a correlação entre o hábito de fumar e o câncer no pulmão. Ou ainda, a correlação entre as pontuações em exames de estatística e de matemática.
Na análise de regressão não estamos interessados em tal medição. Em vez disso, tentamos estimar ou prever o valor médio de uma variável com base nos valores fixados de outras variáveis. Assim, podemos querer saber se é possível prever a nota média em uma prova de estatística sabendo a nota de um estudante em uma prova de matemática. O coeficiente de correlação mede a intensidade da associação (linear)

A NATUREZA E AS FONTES DE DADOS PARA ANÁLISE ECONOMÉTRICA - O sucesso de qualquer análise econométrica depende basicamente da disponibilidade de dados apropriados.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O que é o PIB

 

O que é o PIB e como ele é calculado

O PIB é um indicador para medir a atividade econômica do país. Quando há queda de dois trimestres consecutivos no PIB, a economia está em recessão técnica. Os economistas costumam dizer que o PIB é um bom indicador de crescimento, mas não de desenvolvimento, que deveria incluir outros dados como distribuição de renda, investimento em educação, entre outros aspectos.

Como o PIB é calculado?

O PIB pode ser calculado de duas maneiras. Uma delas é pela soma das riquezas produzidas dentro do país, incluindo nesse cálculo empresas nacionais e estrangeiras localizadas em território nacional. Nesse cálculo entram os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%). Entra no cálculo apenas o produto final vendido, por exemplo, um carro e não o aço e ferro da produção. Evita-se, assim, a contagem dupla de certas produções.


Outra maneira de medir o PIB é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%). Esses dois cálculos devem sempre chegar ao mesmo resultado.

Quem calcula o PIB?

No Brasil, o cálculo do PIB é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), instituição federal subordinada ao Ministério do Planejamento, desde 1990. Antes disso, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) era responsável pela medição.


O que é a Formação Bruta de Capital Fixo divulgada junto com o PIB?

Pela ótica da demanda, A FBCF é justamente a conta de investimentos do PIB. A FBCF mede o quanto as empresas aumentaram os bens de capital - aqueles que que servem para produzir outros bens, como máquinas, equipamentos e construção civil.

Qual a diferença entre PIB nominal e PIB real?

O PIB nominal é calculado a preços correntes, ou seja, considera os valores do ano em que o produto for produzido e comercializado. Já o PIB real exclui os efeitos da inflação.


O que é o PIB per capita?

Este indicador é calculado a partir da divisão do PIB pelo número de habitantes da região. Ele indica quanto cada habitante produzido em determinado período.

Qual a diferença para o Produto Nacional Bruto?

No PNB entra toda a produção nacional, em território do Brasil ou não. Assim, empresas brasileiras que tenham fábricas no exterior também se somam a este indicador. Em geral, países desenvolvidos possuem PNB maior do que o PIB, mostrando assim que a soma da produção nacional é mais forte do que a soma da riqueza produzida em território nacional, que inclui as empresas estrangeiras localizadas ali.

Quem criou o conceito do PIB?

O primeiro cálculo de produção nacional foi publicado em 1953 nas Nações Unidas, baseado em um documento do economista Richard Stone. O título era 1ª Versão do Manual de Contas Nacionais. Stone foi eleito em 1984 o Prêmio Nobel de Economia.

(Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 
http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,entenda-o-que-e-o-pib-e-como-ele-e-
calculado,82627e)




quarta-feira, 28 de setembro de 2016

NOMES PRÓPRIOS TEM REGRAS (1)

Ruy Barbosa ou Rui Barbosa?

[Publicado originalmente no site ttp://www.migalhas.com.br, texto sobre o tema: "nomes próprios tem regras"]


1)Numa elevada discussão entre leitores, questiona-se como grafar o nome do nosso amado jurista baiano: Ruy Barbosa ou Rui Barbosa. Um levanta a divergência entre o "site" do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia e o da Fundação Casa de Rui Barbosa. Outro tenta solucionar com o abono da certidão de nascimento.

2)Fixe-se, nessa matéria, um importante princípio: os nomes próprios sujeitam-se às regras normais de ortografia e de acentuação gráfica, assim como qualquer outra palavra da língua. Por isso se deve escrever Antônio, Luís, Mateus, Rui, e não Antonio, Luiz, Matheus ou Ruy.

3)Confirma-se na lei tal afirmação: o item XI, subitem 39, do Formulário Ortográfico da Língua Portuguesa – em instruções aprovadas unanimemente pela Academia Brasileira de Letras na sessão de 12.8.43 – assim determina: "Os nomes próprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo portugueses ou aportuguesados, serão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns".

4)Especificando, na consonância com o item I, subitens 1 e 2, das mesmas instruções, o y só pode ser usado em casos especiais:

I) "em abreviaturas e como símbolo de alguns termos técnicos e científicos" (cf. item II, subitem 9), como y (de ítrio) ou yd (de jarda);

II) "nos derivados de nomes próprios estrangeiros" (cf. item II, subitem 10), como em byroniano, mayardiana ou taylorista.

5) Observe-se que a Academia Brasileira de Letras detém delegação legal para definir a extensão de nosso léxico, as regras de como escrever os vocábulos, assim como a acentuação e a pronúncia, de modo que sua palavra não significa mera posição ou opinião, mas é a própria lei, que deve ser seguida, de modo que qualquer outra discussão há de situar-se apenas no campo da polêmica científica e da discussão doutrinária.

6)É oportuno acrescentar proveitosa lição de Pasquale Cipro Neto e Ulisses Infante para a situação ora analisada: "A grafia dos nomes de todos os que se tornam publicamente conhecidos aparece corrigida em publicações feitas após a morte dessas pessoas".1

7)De Arnaldo Niskier também é lição nesse sentido: "Passando desta para a melhor, a norma é escrever seus nomes de acordo com as regras ortográficas", razão pela qual "um Antonio Luiz só o será em vida: depois da morte passará a ser, portuguesmente, Antônio Luís".2

8)Em resumo, a situação do caso concreto da consulta deve ser assim solucionada: em vida, o jurista baiano chamava-se Ruy Barbosa de Oliveira. Após sua morte, deve-se grafar Rui Barbosa de Oliveira.

__________

1Cf. CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Scipione, 1999, p. 42.

2Cf. NISKIER, Arnaldo. Questões Práticas da Língua Portuguesa: 700 Respostas. Rio de Janeiro: Consultor, Assessoria de Planejamento Ltda., 1992, p. 45.

(Fonte: http://www.migalhas.com.br/Gramatigalhas/10,MI57003,61044-Ruy+Barbosa+ou+Rui+Barbosa)

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Qual a origem da língua portuguesa?

  
Texto publicado originalmente em língua espanhola no site El Castellano – Lá página del idioma español. (http://www.elcastellano.org).

Uma tese original: as línguas românicas não procedem do latim

Yves Cortez


Setembro 2008

Um pequeno livro publicado na França em junho de 2007 vem para inaugurar uma possível era copérniana no mundo da linguística. Sua tese fundamental é que temos estado equivocados durante séculos a respeito da verdadeira origem das línguas românicas (o Castelhano, o Catalão, o Francês, o Italiano, o Português, o Romeno, entre outros). O autor, ao longo de doze capítulos de leitura deliciosa, nos apresenta o que ele considera provas irrefutáveis contra o que ele mesmo denomina uma autêntica aberração linguística.

Johnny Torres

Linguística é uma ciência relativamente nova. Foram graças à descoberta de semelhanças entre línguas tão separadas geograficamente como as línguas dos idiomas europeus, as línguas faladas no Irã e outras faladas ou escritas na Índia, que se chegou a conclusão que todas elas devem ter uma origem comum. Tal língua mãe tem sido conhecida genericamente como Indo-Européia, embora não seja claro se houve realmente um único povo que a tenha falado. A língua indo-européia, através de ondas sucessivas de invasões provenientes do continente europeu, deu origem, seguindo a teoria mais comumente aceita, a diferentes famílias linguísticas das quais procedem por sua vez a maioria das línguas faladas no Ocidente.

Um desses ramos, chamada de "itálica", deu origem a uma língua de camponeses que se imporia, com o passar do tempo, na língua de um vasto império que abrigava dentro dele grupos humanos das mais variadas características: o Latim. Originalmente falado pelos habitantes da região italiana do Lácio, o latim tornar-se-ia com os séculos na língua oficial do Império Romano. Levada a lombo de cavalo e na ponta das espadas da conquista romana da Europa, com o declínio e subsequente desmembramento do vasto império viria o inevitável processo de decomposição do idioma latino. Com sucessivas invasões procedentes do norte e leste da Europa, o latim, falado por pessoas de todos os tipos e condições sociais, foi deformada progressivamente ao ponto de gerar diferentes "filhas" que se tornam a língua das nascentes nações: Espanha, França, Itália, Portugal, Romênia. É por isso que estes idiomas, chamados "românicas" são chamados alternativamente línguas "latinas".



Uma mãe que não deixa herança alguma

A descrição acima é a história oficial das línguas românicas, incluindo castelhano [português], comumente aceita e pode ser encontrada em qualquer literatura sobre o assunto. No entanto, se algumas línguas evoluem a partir de outras, deveríamos ser capazes de encontrar vestígios dessa evolução. Em outras palavras, as línguas filhas deveriam ter traços hereditários da mãe. A descoberta que Cortez* faz em seu livro, de uma forma exaustiva, é que isso não acontece no caso do Latim e as línguas românicas.

Em primeiro lugar, temos o vocabulário. É verdade que podemos encontrar milhares de palavras que se assemelham em todas as línguas românicas e que provém de alguma palavra latina (abjeto, belicoso, eterno, feroz, gracioso, honesto, ignominioso, obsequioso, perpétuo, etc.). No entanto, a grande maioria de tais palavras são de origem religiosa, ou seja, introduzida por cartas, escritos e outros personagens de grande cultura, que conheciam a língua latina, no entanto estas palavras não pertencem ao registro da fala cotidiana. Cortez faz uma revisão detalhada dos vocabulários Latinos e românicos em vários domínios da fala cotidiana e encontra um fato fundamental e surpreendente: o vocabulário básico das línguas românicas não vem do latim. Por razões de espaço não posso fornecer muitos exemplos, mas eu tomo um que parece significativo: a palavra "guerra". É possível pensar que um povo conquistador como os romanos não tenha legado aos povos submetido o vocabulário da atividade fundamental realizada? Assim, vemos que "guerra" se diz "guerre" em francês e "guerra" em italiano, espanhol e português, no entanto se diz "bellum" em latim. Convido os leitores a fazer a mesma comparação com outras palavras no mesmo domínio: Tratado, matança, general, soldado, batalha, Marechal... A comprovação da enorme semelhança entre as línguas românicas é tão impactante como o total de dissimilaridade com a palavra latina equivalente. O mesmo exercício pode ser feito com os vocabulários de geografia, vestuário, partes do corpo, etc.

Em segundo lugar, a gramática da língua latina não tem a menor semelhança com as gramáticas das línguas românicas. Como sabemos todos aqueles que têm estudado línguas clássicas na escola ou faculdade, o latim, é igual como grande parte das línguas indo-européias, é uma linguagem desinencial. Os substantivos se declinam em casos dependendo da função gramatical que devem desempenhar na oração. Nenhuma língua românica declina substantivos**, com exceção do romeno que possui um sistema de casos muito pequeno. Igualmente encontramos que todas as línguas românicas possuem artigos (definidos e indefinidos), enquanto o latim não tem nenhum.

Como o grego, o latim tem o gênero neutro, para além dos gêneros masculinos e femininos. Nenhuma linguagem românica possui. E há mais: o latim vulgar, que é chamado a mãe das línguas românicas, era falado por pessoas supostamente bárbaras, incultas e sem instrução. Mas as línguas românicas possuem na gramática uma pessoa que o culto e aristocrático latim não tem: você [2ª pessoa gramatical no português]. Terminemos a rápida revisão de gramática latina com a evidência mais marcante: a sintaxe. Rosa alba est (literalmente: "a rosa branca é ') se converte em " A rosa é branca" e construções equivalentes em todas as línguas românicas, e Non tamen abstinuit venturos prodere casus per varias fortuna notas (literalmente "futuro ainda não deixou revelar os males através de vários sinais aleatórios") em português correto torna-se: O azar, no entanto, não deixou de revelar os males futuros por meio de sinais diversos. Em outras palavras: a sintaxe latina não tem absolutamente nada a ver com a sintaxe das línguas românicas.

Confrontados com uma acumulação de diferenças tão grandes, os linguistas tradicionais têm falado da existência de um estágio intermediário da língua latina que deu origem às línguas românicas. Este "baixo latim" ou "latino vulgar" veria a ser uma deformação do latim clássico. O problema, segundo Cortez, é que o tempo para essas transformações vigorassem é muito curto, apenas alguns séculos. No Concílio de Tours (meados de século IX) se fala, todavia de uma "linguagem romana rústica", que se supõem que era a língua que deu origem às línguas românicas, mas nenhum vestígio desta nos séculos XII e XIII. Estamos falando, então, um tempo de geração de apenas 4 séculos. Cortez mostra, a título de comparação, um fenômeno completamente paralelo oposto: no caso do idioma grego. O grego e latim tiveram igual importância na antiguidade. As pessoas instruídas aprendiam a ler, escrever e falar em ambas as línguas, que eram ensinadas em todas as escolas romanas. Mas o fato importante é que a língua grega, em 35 séculos, mudou muito pouco. Como explicar isso?

A verdadeira mãe

Encontramos-nos, então, diante de um problema enorme que os melhores estudiosos latinistas não conseguiram resolver: tentar reconstruir a língua original a partir de línguas românicas não produz nunca a língua latina.

Para Yves Cortez, o problema se encontra em outro lugar e nós não temos aceitado: o latim não é a verdadeira língua mãe das línguas românicas, e chamar essa ascendência linguísticas românicas com o apelativo “latim vulgar" é um erro catastrófico, porque sugere que é um latim deformado. A sua conclusão é de que ele era uma língua completamente diferente. De nenhuma outra forma se pode explicar que os vocabulários básicos a gramática e sintaxe sejam completamente distintos.

A pergunta que surge inevitavelmente agora é: de onde provêm as línguas românicas? Para Yves Cortez, a verdadeira mãe sempre esteve do nosso lado, mas nós a ignorávamos, incapazes de reconhecer o seu papel fundamental. O peso da tradição e prestígio da língua latina (que foi selecionado, curiosamente, pela Igreja Católica como língua franca e depois pelos homens educados de séculos posteriores como o idioma de transmissão do conhecimento) a manteve relegada e ignorada, e é neste ponto reside a originalidade da tese do autor. A verdadeira língua matriz, que deu origem às línguas românicas, foi... o italiano, mas o italiano não vem do latim como comumente se acredita, se não que é, e isso também faz parte de sua tese, uma língua mais antiga, desprendida em tempos remotos do tronco itálico. É a única explicação possível, segundo o autor, que pode dar conta de uma transformação tão radical de uma língua desinencial em uma língua preposicional, com mudanças tão drásticas no vocabulário e na sintaxe. Isto significa que os romanos, que conquistaram a Europa falavam já certa forma de Italiano (Cortez chamado de "o velho italiano" eu prefiro chamar de "o paleo-italiano" embora seja provável que foi chamado pelos romanos simplesmente "o romano"), que era a língua que foi gradualmente transformado em línguas românicas que conhecemos hoje.

A história teria se desenvolvido da seguinte forma: os "Italianos" habitavam a região que mais tarde foi conquistada pelos "latinos" (que falavam e escreviam em latim). Precisamente por isso, a língua do conquistador latino era a língua escrita das instituições governamentais e de gestão. Mas os "latinos", superior militarmente, eram inferiores em número e não conseguiram impor sua língua antes do início da grande expansão romana, e embora manteve-se o latim a língua escrita na oficial nos séculos subsequentes, mesmo após o latim desapareceu como linguagem oral (se suspeita que o latim já era uma língua morta na época de Cícero), era a língua romana falada, este "italiano antigo", a que seguiu sua vida como a língua de expressão cotidiana, embora não tenha sido colocado por escrito, conquistando os conquistadores. Seria o primeiro caso na história da língua dos dominados que passa a ser a língua dos governantes.

De modo que as três línguas viviam na antiguidade romana: o latim, o grego e o "romano" ou o "italiano antigo". Este fenômeno da dualidade, a língua escrita – língua falada, não é estranho na época nem é hoje em dia. Por exemplo, nos tempos de Jesus Cristo, na Judéia-Galiléia-Samaria antiga, se falava o aramaico, mas estava escrito em hebraico. No Norte de África, no Magreb*** hoje, dialetos árabes são faladas, mas está escrito em francês e em árabe clássico.

Os numerosos pontos em comum ao latim e as línguas românicas provêm de sua origem comum, o indo-europeu. A isso se acrescentam os efeitos de uma coexistência de quase 20 séculos entre as línguas românicas faladas e o latim como língua escrita, a tal ponto que muitas palavras românicas são tomadas a partir do latim.

Como é de imaginar, esta nova tese de Yves Cortez produziu as reações mais severas do mundo linguística. Em seu contra-ataque mostram vários fatores, dos quais o mais importante é a falta (até o momento) de textos escritos neste "italiano antigo".

Esta hipótese levanta problemas tremendos. Teria, por exemplo, que redefinir uma boa parte das etimologias de nossos dicionários, mas, embora esta teoria levanta mais perguntas do que respostas, é sem dúvida, um caminho digno a explorar.

* Cortez. Yves Cortez, francês Engenheiro-urbanista e linguista.
** Declinação substantivos do latim:
[verfile:///C:/Users/Cliente%20Especial/Downloads/74674784-latim-declinacoes.pdf]
*** Magreb é a região noroeste da África.


(Fonte: http://www.elcastellano.org/ns/edicion/2008/septiembre/latin.html)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

AÇU OU ASSU EM 1972


Jornal do Brasil
Rio,  4 de abril de 1972

Em "Carta do Leitor" F. Rodrigues Alves - Rio

Ortografia

"Agora, com o Prof. Antônio Houaiss na supervisão dos trabalhos que vão introduzir alterações na ortografia, passou-se a ter confiança numa solução racional e prática do problema que tem sido a "dor de cabeça" de todos os brasileiros.

A Lei que determina aquelas alterações também determina que a Academia Brasileira de Letras promova, no prazo de dois anos, a atualização do vocabulário comum, a organização do vocabulário onomástico e a reedição do Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, ainda na lª edição de 1943.

Com isso, teremos o Vocabulário Onomástico da língua Portuguesa e, possivelmente, o Dicionário Geográfico e Toponímico Brasileiro, que teria sido organizado pelo Conselho Nacional de Geografia, conforme as normas fixadas pela Resolução 36, de 18 de abril de 1939.

Sem essas providências, ficaremos na eterna dúvida da grafia de certos nomes próprios de pessoas, ou de lugares. Dai, Moçoró e Mossoró, Maçangana e Massangana, Piraçununga e Pirassununga, Tejipló e Tegipló, Messejana c Mecejana, Bajé e Bagé, Majé e Magé. Moji das Cruzes e Mogi das Cruzes, Caxambi e Cachambi, Vietnã, Vietname e Vietnam, Açu e Assu,  Serjipe e Sergipe. E Iperoig? Ficará com a forma tradicional, ou ganhará a forma Iperoí, com o Prof. Mansur Guérios, Iperui, com o Pe. Augusto Magne, ou Iperoigue, com o Prof. Clóvis Monteiro, em seus Esboços de História Literária, p. 49?

Em tudo Isso, está o problema dos "topônimos tradicionais", que levou o IBGE, em face de reclamações, a manter a "grafia local", em muitos casos.

Aguardemos, portanto, os estudos e conclusões dos competentes, no assunto. Ou, como diz o Prof. Antônio Soares, do Ceará, "dos que têm voto na matéria."

(Fonte: http://memoria.bn.br/pdf/030015/per030015_1972_00306.pdf)