sábado, 29 de novembro de 2014

Thomas Piketty


Thomas Piketty fala inglês com um sotaque francês carregado. Bem humorado, o tom de leveza contrasta com os assuntos que aborda hoje e que estão bagunçando o mundo da macroeconomia, das finanças públicas, da política e das ciências sociais.
O economista lançou em agosto de 2013 “O Capital no Século XXI”, que começou a fazer barulho nos Estados Unidos em abril deste ano e agora chega ao Brasil.
O livro aborda o aumento da concentração de renda em muitos países, o que agrava a situação das desigualdades sociais. Piketty quer alertar, com sua análise, sobre a possibilidade de formação de oligopólios econômicos que existiam há 200 anos em nossos tempos, fortalecidos por uma falta de taxação de grandes fortunas.
O DCM conversou com Piketty um dia depois de sua palestra na FEA-USP. Falamos sobre impostos para os mais ricos, a simpatia do economista por governos de esquerda, as falhas do estado de bem-estar social, as impressões sobre a economia e a política brasileira e também sobre o governo Dilma.
Você disse que Karl Marx é maior do que Jesus Cristo. Acha mesmo isso ou era brincadeira?
Eu disse isso (risos)? Acho que foi de brincadeira, para responder às perguntas. Temos inúmeros economistas inspiradores, incluindo Marx. Mas eu prefiro, sinceramente, não fazer um ranking deles.
Você disse que a última reforma tributária no Brasil foi em 1960. Nós, brasileiros, estamos muito lentos para cuidar de nossos impostos contra a desigualdade social?
Disse que a última grande alteração no Imposto de Renda brasileiro foi em 1960, mas ocorreram algumas mudanças tributárias desde então. Mas é verdade que vocês precisam de uma reforma ampla nos impostos pelo menos há 15 anos. Adaptações tributárias com taxas progressivas e proporcionais podem ser boas para a realidade de hoje, de um novo século.
Nos anos de Lula e Dilma, não foram realizadas mudanças neste sentido. Eu acho que isso prossegue como uma mudança importante e necessária ao Brasil. O sistema tributário brasileiro não é nada progressista, possui muita taxação indireta que poderia se converter em impostos diretos adequados às rendas. Vocês também têm uma taxação muito pequena na tributação sobre heranças e propriedades. Para fazer isso, uma reforma nos impostos é uma necessidade.
Qual é a sua opinião da economia sob os governos do PT?
Eu acho que o Partido dos Trabalhadores fez um ótimo governo do ponto de vista social, mas poderia fazer mais. E sinceramente não entendo o pessimismo econômico de algumas pessoas com mais um governo de Dilma. Criticam os eleitores mais pobres por terem votado após receber benefícios estatais. Eu acho justo votar em Dilma Rousseff por receber o Bolsa Família e não vejo, sinceramente, nenhum problema nisso, assim como outras pessoas preferem outros candidatos. Mas parece algo das pessoas aqui de São Paulo, enquanto outras regiões, como o norte e o nordeste, pensam de maneira diferente.
O que um segundo mandato de Dilma Rousseff pode fazer de diferente?
Pode fazer uma reforma tributária com impostos progressivos, taxando os mais ricos. O governo também pode buscar uma transparência maior do ponto de vista da renda e da distribuição de riqueza. É uma boa maneira de responder à onda de críticas sobre corrupção e falta de informações. Tenho uma simpatia pelo PT, mas ele pode trabalhar de uma maneira melhor.
Existe um preconceito sobre os impostos para os mais ricos? Os integrantes do chamado 1% do extrato social utilizam a grande mídia para impor sua opinião internacionalmente?
Sim, isso existe e é um problema. Quando você tem uma porção de desigualdades, eles [os ricos] utilizam sua influência através da mídia, principalmente através dos veículos financiados de forma privada, que são guiados pelo dinheiro, e isso se tornou grande sobretudo nos Estados Unidos. No entanto, mesmo com isso, acredito que as forças democráticas se tornaram mais fortes e é um fato que, dentro da história da desigualdade, a taxação descrita pelo meu livro provocará um embate de movimentos de massa pacíficos para o futuro.
Você tem mais simpatia por governos à esquerda?
Depende. Depende de qual tipo de esquerda e de qual tipo de direita.
Me dê um exemplo da França, sua terra natal.
Na França nós temos uma direita que está se tornando extrema, e está ganhando espaço. Disso eu não gosto. O ex-presidente [Nicolas] Sarkozy está muito próximo de [Marine] Le Pen e eles estão querendo prejudicar os direitos de trabalhadores. Por outro lado, uma esquerda stalinista não é interessante. Para mim não é uma guerra entre dois lados, porque isso muda a cada país e a cada período de tempo.
Considerando a situação europeia, qual sua opinião sobre o capitalismo da Escandinávia, com forte presença do governo e forte investimento em educação? Isso pode inspirar o Brasil ou nós precisamos de um modelo econômico próprio?
Acho que não é possível apenas pegar a Escandinávia e levar a um país tão diferente quanto o Brasil. Há coisas a aprender com as nações nórdicas, como Finlândia, Suécia e outras da mesma região. Se você compara países europeus diferentes, os mais desenvolvidos e competitivos possuem altas taxas de impostos. Suécia e Dinamarca possuem 50% da renda de seus PIBs com coleta de impostos. Enquanto isso, os países mais pobres da Europa, como Bulgária e Romênia têm apenas 20% do PIB comprometido com tributos.
Quando as pessoas me falam que deveríamos ter impostos menores para nos tornarmos mais ricos, penso que a Bulgária e a Romênia deveriam ser mais ricas do que a Suécia. Os impostos podem ser bons se você investí-los bem, no uso de serviços públicos eficientes e em infraestrutura.
Há muito o que aprender com essa experiência dos escandinavos, especialmente se você tem um governo eficiente. Um Estado maior é bom se ele for efetivo. A França poderia aprender muito com isso, porque ainda somos muito desorganizados em nossos gastos públicos. No entanto, a Dinamarca e a Suécia possuem um modelo difícil de se adaptar em um capitalismo financeiro global, pois se tratam de países menores. Se você quer combater uma crise econômica mundial, não é suficiente utilizar apenas o modelo escandinavo.
Governos federativos grandes como os Estados Unidos e o Brasil, com milhões de pessoas, possuem um sistema financeiro e bancário mais complexo, difícil de ser regulado como é na Dinamarca. Isso funciona para 10 milhões de população, mas para 200 milhões de brasileiros o trabalho é mais difícil.
Estamos tentando fazer isso na Zona do Euro, mas não obtivemos resultados satisfatórios até o momento. Para conquistar o progresso, precisamos criar mais organizações democráticas e representativas transnacionalmente e de forma política. Como temos barreiras físicas e linguísticas, existe um grande desafio à frente. Estamos tentando criar novos modelos. E acho que todo mundo deveria estar criando novos modelos.
Você acredita que economistas da esquerda ganharam força com a crise mundial de 2008?
Eu acho que é mais complicado do que isso. Em alguns aspectos, a crise gerou questionamentos sobre a regulação do mercado financeiro, que é um argumento de esquerda. Mas, em outros, o papel do governo foi posto em dúvida pela direita na Europa com o aumento das dívidas públicas. Foi de fato uma crise muito diferente de 1929, com efeitos diferentes. Acredito que a reação dos governos em 2008 foi mais rápida, porque no passado eles eram menores.
O Brasil, que tem uma força estatal maior, se saiu bem, comparado com anos anteriores da chamada “Grande Depressão”. Mesmo assim, é mais complicado regular o mercado hoje e isso não significa necessariamente aumentar o tamanho do governo. É mais efetivo mudar o sistema de taxação, reduzir os impostos para algumas pessoas e aumentar para outras que possam pagá-los. A transparência governamental é fundamental no processo, sem necessariamente aumentar a arrecadação. Por todos esses motivos, hoje a situação é mais complexa.
Sim, e num certo aspecto eu acho justo criticar o tamanho do governo nos países europeus. Quando você tem cerca de 15% até 20% da receita do PIB, você precisa se perguntar sobre como utilizar esses recursos de uma maneira mais eficiente. Como eu posso reformar os impostos para torná-lo simples e transparente? Isso é totalmente legitimo e pode ser usado para melhorar o bem-estar social sem desmontá-lo.
O governo precisa se tornar funcional, sobretudo para servir bem à sociedade. E a esquerda não precisa ser tão defensiva neste aspecto, porque reformar o Estado não significa diminuí-lo. A esquerda europeia tende a achar que as críticas querem acabar com o governo. Algumas pessoas de fato querem se desfazer do Estado, mas a reforma dos impostos pode ser adaptativa.
Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/e-justo-alguem-votar-em-dilma-porque-recebe-o-bolsa-familia-thomas-piketty-fala-ao-dcm/

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Petróleo a 77,42 dólares

Petróleo abre em queda em Nova York,
a 77,42 dólares o barril

NOVA YORK, 12 Nov 2014 (AFP) - O petróleo em Nova York abriu em queda nesta quarta-feira, em um mercado ansioso pela reunião da Opep no fim do mês em Viena. 

Até as 14H00 GMT (12H00 de Brasília), o barril de "light sweet crude" (WTI) para entrega em dezembro recuava 52 centavos no New York Mercantile Exchange (Nymex), a 77,42 dólares. (Fonte:UOL)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

EXPORTAÇÃO DE CARNAÚBA - 2013

EXPORTAÇÃO DE CARNAÚBA - 2013

NORDESTE - 2.886.000 Kg
CEARÁ - 1.762.200 Kg
PIAUÍ - 1.020.500 Kg
RIO GRANDE DO NORTE -  103.300 Kg




domingo, 20 de outubro de 2013

65ª SBPC

65ª Reunião Anual da SBPC
RECIFE - PE

 A 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) acabou na última sexta-feira, dia 26 de julho, com o saldo positivo, depois de superar alguns percalços para a sua realização. Essa foi a avaliação da presidente da SBPC, Helena Nader, durante o encerramento que aconteceu no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com a apresentação da Banda Sinfônica do Recife.



Helena disse que a SBPC, a cada ano, tem a obrigação de levar à sua reunião anual o que há de melhor na ciência brasileira. "Se a reunião não se superar na qualidade científica a cada ano, ela perdeu a razão de ser", disse. "A próxima reunião que será no Acre pode não ser a melhor, mas com certeza levará para lá a melhor ciência. Ela tem que refletir a ciência de quando for realizada", disse.


Para a presidente da SBPC, mais do que os números, é importante ressaltar o interesse demonstrado pelos participantes nos temas debatidos e nos vários eventos realizados. "A qualidade do debate foi incrível”, disse. “Percebi que as pessoas estavam atentas e participativas. As salas contavam com pessoas interessadas nos temas discutidos. Também me chamou a atenção a grande participação de jovens graduandos. Aqui qualquer jovem pode participar, pode perguntar. Coisas que não acontecem em outros congressos."



Números
Durante toda a semana foram realizadas conferências, mesas-redondas e exposições no maior evento científico do Brasil. Paralelamente à programação acadêmica, a semana contou também com uma programação cultural diversificada com exposições artísticas, feiras itinerantes e shows encerrando a noite, sendo todas as atrações características da cultura local. De acordo com os dados oficiais, houve 22.930 inscritos de 27 estados e mil cidades. Só na SBPC Educação, participaram 12.397 professores.








quarta-feira, 26 de junho de 2013

SBPC 2013


Apresentação
A 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) ocorrerá de 21 a 26 de julho de 2013, no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, PE.
Nesta edição o tema será "Ciência para o Novo Brasil".




Realizada desde 1948, com a participação de representantes de sociedades científicas, autoridades e gestores do sistema nacional de ciência e tecnologia, a Reunião Anual da SBPC é um importante fórum para a difusão dos avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento e um fórum de debates de políticas públicas para a ciência e tecnologia.

A programação científica é, geralmente, composta por conferências, simpósios, mesas-redondas, encontros, sessões especiais, minicursos e sessões de pôsteres. Acontecem também, durante a Reunião Anual, eventos paralelos, como a SBPC Jovem (programação voltada para estudantes do ensino básico), a ExpoT&C (mostra de ciência e tecnologia) e a SBPC Cultural (apresentação de atividades artísticas regionais e discussões sobre temas relacionados à cultura).

A cada ano, a Reunião Anual da SBPC é realizada em um estado brasileiro, sempre em universidade pública. O evento reúne milhares de pessoas - cientistas, professores e estudantes de todos os níveis, profissionais liberais e visitantes.

Inscritos nos últimos 5 anos:
Ano
Edição da Reunião
Local
Nº de Inscritos
2008
60ª
Campinas (SP)
6.284
200961ªManaus (AM)6.215
201062ªNatal (RN)8.853
2011
63ª
Goiânia (GO)
9.022
201264ªSão Luís (MA)11.913


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Transnordestina


Transnordestina é viabilizada
através de recursos da Sudene

O projeto da Transnordestina Logística S/A, que liga o município de Eliseu Martins (PI) e áreas dos Estados de Pernambuco e Piauí aos Portos de Suape (PE) e Pecém (CE), é um dos grandes projetos de infraestrutura voltados para alavancar o desenvolvimento do Nordeste. Trata-se de projeto de integração intra e inter-regional, concretizando a incorporação e inserção de partes importantes de áreas agrícolas e de mineração aos mercados extra-regional e externo. Ao mesmo tempo, contribui, fortemente, para a interiorização do processo de desenvolvimento econômico-social. Na fase de construção são gerados mais de 5.000 empregos diretos. Já na fase de operação estima-se a geração de 550 empregos diretos e nas áreas lindeiras - agropecuária, avicultura, mineração, fruticultura, e outros, dezenas de milhares de empregos indiretos. 

Ao todo, serão 2.304 Km de ferrovia beneficiando 81 municípios, sendo 19 no Piauí, 28 no Ceará e 34 em Pernambuco. O empreendimento, em fase de implantação, dada as suas características técnicas modernas, bitola larga (1,60m), rampa máxima de 1,5%, curva de raio mínimo de 400m, propiciará a triplicação da velocidade comercial atual, com trens de até 72 vagões.

O foco do projeto é o transporte de carga de grãos, minérios, combustíveis e insumos agrícolas. Estima-se a movimentação de cargas no entorno de 30 milhões de toneladas/ano, com predomínio de grãos produzidos na nova fronteira agrícola do sul do Piauí (milho e soja - 16.300 mil t/ano) e de gipsita/gesso - 6.980 mil t/ano, além de fertilizantes (1.253 mil t/ano) e combustíveis (838 mil t/ano).

A Ferrovia Transnordestina conta com investimentos totais de R$ 5,3 bilhões, com participação de R$ 2,67 bilhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste - FNDE (50% do empreendimento). A SUDENE já procedeu a liberações de recursos de R$ 1,4 bilhões, correspondendo 56% dos recursos alocados a esse projeto.

Fonte: http://www.sudene.gov.br/transnordestina-e-viabilizada-atraves-de-recursos-da-sudene

AS SECAS DE 2012/2013


SEGURANÇA HÍDRICA: O DNOCS NO CEARÁ, 
 AS SECAS DE 2012/2013
DNOCS, 12/04/2013 10:14. 

O Ceará enfrentou em 2012, a sexta pior seca desde 1950, quando choveu 352mm, em
média, no Estado, e, em 2013 vem enfrentando uma segunda seca consecutiva, com
perspectivas de ser mais rigorosa ainda que a do ano anterior. Em algumas
regiões como o Vale do Curu, em 2011 foi também um ano de seca, configurando-se
uma terceira seguidamente.

O DNOCS no Ceará, segundo o Setor de Monitoramento Hidrológico, possui 65 açudes
construídos e administrados pela Coordenadoria Estadual, com uma capacidade
total de 15.106.196.000m³, correspondendo a 85% de toda água passível de ser
armazenada e monitorada no Estado.

Segundo o engº agrº Luiz Paulino Pinho Figueiredo, o Estado acumula atualmente
8.023.975.000m³, sendo que deste total , 7.054.080.000 m³, ou 87%, estão 
armazenados nos açudes federais e aí vem a 1ª indagação, o que seria do Ceará, sem 
o DNOCS, em termos de segurança hídrica? Do total de 7.054.080.000 m³, 
6.084.456.000 m³ estão armazenados nas bacias do Jaguaribe/Banabuiú; 
734.745.000m³ nas bacias do Acaraú/Coreaú,180.015.000m³ na bacia do Curu e, 
54.864.000m³ no Sistema Complementar (bacias do Litoral, Metropolitanas e Sertões 
do Crateús).

Desde a seca de 2012, os açudes da CEST-CE continuam garantindo a perenização
dos principais Vales do Estado, quais sejam: Jaguaribe, com 280km, sendo 130km
pelo açude Orós e 150km pelo açude Castanhão; Banabuiú, com 136km pelo açude
homônimo; Acaraú, com 187km pelo açude Araras, e, o Vale do Curu, com 120km, 
pelos açudes General Sampaio, Pentecoste, Caxitoré e Frios.

Estes oito reservatórios com mais os 57 açudes chamados isolados, (não
contribuem diretamente com os vales perenizados), perenizam 1.700km de rios e
trechos de rios, e liberaram em média em 2012, 50.400 l/s, sendo que no 2º
semestre esta média foi de 60.300 l/s, garantindo o suprimento hídrico dos 14
Perímetros Irrigados do DNOCS, com cerca de 25.000ha irrigados, 30.000ha de
irrigação privada ao longo dos rios e trechos de rios perenizados, o
abastecimento humano de mais de 100 localidades, o 
funcionamento de indústrias e das 05 Estações de Piscicultura e mais o Centro de
Pesquisas Ictiológicas Rodolpho Von Ihering, além de outros usos.

Ressalte-se que os principais Perímetros Irrigados do DNOCS, são responsáveis
por consolidar o Estado do Ceará, hoje, como o 3º maior polo exportador de
frutas do Brasil, e as 05 Estações de Piscicultura, produziram 17.000.000 de
alevinos, o que garantiu uma produção total 
de pescado de 10.661.541kg, sendo que segundo o chefe do setor de Aquicultura,
engº agrº. Vicente Giffoni, as 05 Estações juntas têm condição de ampliar a
capacidade atual de produção de alevinos para 51.000.000, o que poderá garantir
as necessidades totais de peixamento dos reservatórios, e, a oferta de proteína
animal para toda a população do Estado.

Segundo ainda o analista em recursos hídricos, Luiz paulino, em 2013, a pior
situação é a do Vale do Curu, que está com apenas 18,6% de sua capacidade
total, mas, mesmo assim, o DNOCS através dos açudes General Sampaio,
Pentecoste, Caxitoré e Frios vem garantindo o abastecimento humano das
principais cidades do Vale, e, embora com vazões menores, continua perenizando o Vale e atendendo parcialmente os Perímetros Irrigados de Pentecoste e Paraipaba e os produtores ao longo do rio Curu.

Em relação ao açude Orós, a vazão média liberada é de 7,5m³/s, com 3,30m³/s para
o açude Lima-Campos, através do túnel, sendo responsável por todas as demandas
do mesmo e, mantendo-o em um nível estável; 0,70m³/s para o açude Feiticeiro,
com o mesmo objetivo, e, 3,50m³/s para o rio Jaguaribe, para irrigação difusa e
abastecimento humano ao longo de 80km até a entrada do Castanhão, não
adentrando no reservatório.

O açude Orós deverá terminar o ano de 2013 com aproximadamente 900.000.000m³,
garantindo-se até o ano de 2015.

Já os açudes Banabuiú e Araras, deverão terminar o ano de 2013, respectivamente
com cerca de 380.000.000m³ e 170.000.000m³, podendo atravessar ainda o ano de
2014, mesmo sem recargas significativas, desde que com restrições em relação ao
suprimento hídrico para irrigação.

Merece um destaque especial, neste cenário, o açude Castanhão, que tem sido
imprescindível, nas secas de 2012/2013, com uma liberação média de 28m³/s, sendo
18m³/s para o Rio Jaguaribe e, 10m³/s para o eixão das águas. Os 18m³/s para o
Rio Jaguaribe, apresentam a seguinte distribuição:

-Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi: 5,0m³/s
- Canal do Trabalhador (abastecimento de Fortaleza e irrigação): 3,0m³/s;
- Ypióca: 1,3m³/s;
-Carcinicultura: 0,90m³/s;
- Baquit: 0,48m³/s;
- Braço seco do rio Jaguaribe: 0,50m³/s;
- Abastecimento humano: 0,37m³/s (10 municípios);
- Perímetro Irrigado de Jaguaruana: 0,15m³/s;
- Perenização para irrigação difusa de pequenos produtores: 6,3 m³/s

Os 10m³/s liberados para o Eixão das águas atendem o Perímetro Irrigado
Tabuleiros de Russas, e o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza,
sendo que no momento, somente 02 bombas estão funcionando, e liberando 6,30m³/s,
e, o complemento do abastecimento está sendo efetivado emergencialmente pelo
Açude Banabuiú e pelo Canal do Trabalhador.

De acordo com o balanço hídrico do açude Castanhão, este deverá terminar o ano
de 2013 com 2,3 bilhões de m³, o que garante a segurança hídrica da Região
Metropolitana de Fortaleza até 2015, e, valendo salientar que esta região
metropolitana já vem tendo o abastecimento garantido, desde junho/2012, pelo
reservatório em questão, e aí vem a segunda indagação: o que seria de Fortaleza
sem o Castanhão? 

Sobre a importância deste reservatório, podemos destacar ainda que sua demanda
total deverá chegar de 40m³/s a 45m³/s, quando o Perimetro Tabuleiros de Russas
estiver com toda sua área irrigável em operação e ainda, o atendimento do
Complexo Portuário do Pecém, devendo então receber o devido aporte do Rio São
Francisco, através da transposição. E aí vem a terceira indagação: Porque não o
DNOCS para ser a entidade Operadora Federal do PISF, já que o Órgão é o grande
conhecedor e idealizador das políticas de convivência com as secas, e também o construtor,
operador e administrador dos reservatórios incluídos no Projeto?

Finalmente, não podemos esquecer também de uma das mais importantes funções do
Açude Castanhão, que é o controle de enchentes, evitando que as grandes cheias
atinjam de uma maneira drástica o vale do Baixo-Jaguaribe. 

Fonte: http://www.dnocs.gov.br/php/comunicacao/noticias.php?f_registro=2914&f_opcao=imprimir&p_view=short&f_header=1&